O Corinthians estreiou ontem na Libertadores contra o San Jose, na Bolívia.
Jogando em condições desumanas, a uma altitude de mais de 2700 metros, o time pouco produziu e tomou sufoco do fraquíssimo time boliviano. O resultado, 1×1, poderia até ser dito que injusto já que Cássio fez pelo menos 3 grandes defesas mas eu discordaria dizendo que o ar rarefeito prejudicou sensivelmente o time brasileiro que não conseguia trocar passes devido à velocidade da bola.
Por conta da altitude, muitos times brasileiros escolhem chegar ao local poucas horas antes do jogo. Com isso deixam para sofrer os efeitos depois do jogo mas invariavelmente jogam mal.
Ontem não foi diferente. Paulinho e Danilo, dois dos melhores passadores do time, não conseguiam prosseguir com as jogadas porque a bola corria mais do que eles esperavam. Alguns chutões do Cassio, como o que ele deu contra o Palmeiras e que resultou no gol de Romarinho, mudavam de direção durante o trajeto de maneira bizarra.
Os jornalistas que cobriam o jogo disseram que os brasileiros tiveram que usar oxigênio no intevalo para se re-equilibrar e voltar para o jogo.
Sempre achei um absurdo jogar em tal altitude. Não se pode permitir que os times bolivianos, equatorianos, ou quem quer que seja, utilizem desse artifício para conseguir alguma vantagem e chance de sucesso nas competições continentais. A disputa tem que acontecer em igualdade de condições. Para mim, jogar nessa altitude é como comprar o juiz, é anti-despostivo, é desumano, é desleal.
E tão desleal e desumana é a atitude dos torcedores uniformizados brasileiros. Tão ruins quanto os argentinos, diga-se de passagem, esses caras vão para estádios prontos para brigar. Seu comportamento nos estádios é típico de bárbaros com complexo de inferioridade. Se consideram, sim, torcedores especiais que merecem tratamento diferenciado. São folgados. Tentam furar fila nas lanchonetes dos estádios, urinam em qualquer lugar, tratam os torcedores normais como gentalha.
Um torcedor boliviano morreu ontem. Um garoto. Foi atingido por um foguete sinalizador que não deveria estar dentro do estádio. Supostamente partiu de torcedores corinthianos e nove deles foram presos após o jogo.
Como esse foguete entrou no estádio? Falha de caráter do torcedor que disparou e da torcida que levou o artefato mas também falha gritante da força policial responsável pela segurança do evento. Se o foguete estava lá dentro, a polícia permitiu sua entrada. Seja por cumplicidade ou incompetência, é também culpada pela morte do garoto.
Tenho lido sobre a possibilidade de exclusão do Corinthias da Libertadores. Duvido que isso ocorra. A competição não é somente esportiva, tem o lado comercial e expulsar o atual campeão seria prejudicial para os negócios. Infelizmente, a vida de uma pessoa tem menos valor do que o dinheiro dos patrocinadores.
Poderíamos imaginar que uma punição exemplar seria banir torcedores dos próximos jogos do Corinthians mas isso seria punir os inocentes. Multa pecuniária? Dinheiro confortaria a família do garoto? Eu não aceitaria mas muita gente sim. Perda de pontos da partida? Um a mais ou a menos…
O fato é que o problema é bem maior do que a tragédia de ontem. Há risco de que fato igual se repita em estádios brasileiros a qualquer momento, como bem disse hoje o Perrone em seu blog. As torcidas uniformizadas são violentas e vão aos estádios sempre dispostos a brigar. Alegam que vão prontas para se defender porque sempre há a possibilidade de serem atacados pela torcida adversária.
Não concordo com essa atitude e é a polícia quem deve garantir que as torcidas adversárias não cheguem perto uma da outra. Nem dentro nem nas cercanias do estádio. E ninguém pode entrar no estádio portando qualquer objeto além dos pertences pessoais e as bandeiras.
Muito ainda se vai falar sobre o assunto, muitos vão meter o pau no Corinthians e nos corinthianos mas a violência não está em uma ou outra torcida, está no ser humano.
Não faltam exemplos de violências absurdas como a de uma senhora que foi agredida ontem em um assalto. Ela tem 81 anos e lutou contra 4 marmanjos por sua bola e sua vida. São covardes que preferem o roubo fácil ao trabalho duro.
Assim é o ser humano nestes dias sombrios. Estamos ficando paranóicos e exacerbando nossos instintos mais baixos. Vejam os games que jogamos e os filmes que assistimos. Mesmo que o objetivo seja o bem vencer o mal, o que gostamos é da violência, é ver uma luta, um bandido sendo morto, uma boa explosão.
A natureza do ser humano é essa. Somos violentos. Duas coisas nos impedem de sair batendo em todo mundo: medo de punição e civilidade.
Parece que, infelizmente, o número de pessoas civilizadas têm diminuído a cada dia.
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